De repente, fui pega! Por aquele mentiroso/maravilhoso homem que amei/inventei...
Daquele amor todo em que ele me colocou...não sobrou nem saudade daquilo tudo:
do olhar, da vontade de te ver, das sessões do Poderoso Chefão, dos sussurros ao pé do ouvido, do dançar coladinho, do dia dos namorados, da intensidade da última vez ...
Sem notar, se foi, assim como chegou. Era só um menino.
E o homem que eu amei por dois meses se foi assim como as fantasias se vão... um AMOR desse não servia para os nossos coraçõezinhos, e em nosso pequeno cotidiano, logo vi que não cabia o que eu sentia no poema que eu não te fiz.
[...] e eles foram felizes para sempre!
sábado, 21 de maio de 2011
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Da morte, do amor, e outras ...
Quando é que sentimos que o amor morreu? E qual amor? Em que ponto da vida chegamos à sensação de que o amor morreu?
Inicio com a suposta afirmação de que há de se ter rompido com algo para a análise fluir, e pôr fim a coisas que antes faziam parte de tudo o que era considerado sabido, o que era vivo, em nosso próprio pensamento. O fim é necessário para o nascimento de outra coisa, daquilo que morreu dentro de nós mesmos funda-se o que considero o progresso psicanalítico, e apesar desta sensação desconfortante de fim e desconhecimento, só assim podemos construir com criatividade diante do sofrimento real. Mas e que sensação é esta?
A sensação de luto e desamparo é citada por Freud em decorrência da dificuldade de não se ter a quem recorrer, quando algo está morto. A partir disto, estamos o tempo todo evitando o vazio, através de fatos universais, religiosos e científicos que nos prometem uma resposta. E sem esse vazio, não há psicanálise que possa ser construída tanto para o sujeito em sua análise pessoal, quanto ao sujeito que já apresentou em algum momento o desejo de se tornar analista. Mas voltando ao instante em que algo morreu me pergunto o que pode ter acontecido?
Sinto que o amor concebido como era antes para mim morreu, o amor de antes podia salvar e até enganar com as promessas de que tudo o que causasse dor podia ser evitado, até o dia em que percebemos o limite deste amor. Passamos a ver que não há tanto amor assim para distribuir e receber dos outros, muitas vezes também não aceitamos a imposição de um amor que nos parece estranho e desnecessário, aí limita-se o amor, que antes tudo salvava, agora parece sentir a necessidade de se transformar em outro amor: um que não seja desperdiçado com a angústia de “não-saber” o desejo do outro. Assim daquele amor que se foi, como amar de outra forma?
Talvez aqui comece o nascimento da resposta desta pergunta que surgiu no cartel e para mim será confessada durante a análise.
A vontade de uma formação psicanalítica é peculiar, surge em momento único de cada trajetória desejante de se tornar psicanalista, apontando sempre para o não-saber. Aliás, desde que a psicanálise por algum motivo passa a fazer parte da vida de qualquer aspirante ao momento de se sentir analista, esta impressão de não-se-saber, o acompanhará junto com a sua pretensão por muitos e muitos instantes do caminho. Enquanto sujeitos, estamos sujeitados a caminhar com o respaldo de que se sabe algo, e desde que o mundo é mundo, estamos sempre atrás de explicações para o que nos aflige, para o que parece impossível, para o que destrói, para o que causa o fim. São inúmeras as tentativas de preencher o que nos falta com o que podemos saber a respeito disto ou daquilo, não importa como e quão necessário, o conhecimento faz parte de nossas vidas. Reconhecer que se sabe algo é busca natural do ser humano, e a ciência está aí para nos trazer as respostas que nos faltam, na tentativa de conforto diante do impasse do real. E se existe a busca é porque existe o que não se explica, o que nos foge, o que não funciona, o que termina sem compreensão, o que não conseguimos dizer e assim explicar. Mas, buscar explicações para o sofrimento é algo que nos faz andar atrás de uma verdade, um saber, uma resposta. O saber não pode enunciar o inconsciente, por isso o ensino formal é menos importante do que a análise pessoal durante a formação, que depende do desejo inconsciente do analisante em se tornar psicanalista. Talvez por isso a sensação de não se saber em psicanálise seja tão pertinente, e compreender a teoria não é o suficiente, pois sempre restará neste processo de formação algo dessa sensação.
O desejo inconsciente não ultrapassa ainda no início o compromisso com o saber, mas no caminho este não-saber vai deixando de se fazer necessário quando começamos a perceber que o não-saber é a própria estrutura da situação psicanalítica. O analista nada sabe em relação ao desejo inconsciente e singular do sujeito, pelo menos escapa a essa tentativa, que não seria necessário, pois o saber assim como a ciência tenta responder à angústia humana com todo o conhecimento possível. Diante da incompletude dessas afirmações e indagações, retomo a questão: Como amar de outra forma? Primeiro a partir do vazio do nada, pode-se nascer o amor ao desejo que gostaríamos de saber, o desejo que nos interessa. E saber de fato ao que queremos dirigir o nosso amor. Aquele amor do passado terá sido enterrado? Curado? Reinventado?
Não sei, só sei que quero amar e o alvo desse amor será único, como o amor de um homem dirigido a uma única mulher, diante de tantas e tantas que aí estão, a que será o amor que dá vida, pois aquele Outro/Amor já morreu.
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