quarta-feira, 28 de novembro de 2012
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Em outras palavras, o uso da linguagem pelo sociopata corresponde paradoxalmente à noção corrente e sensata de linguagem como um meio puramente instrumental de comunicação, como sinais que transmitem significados. Ele usa a linguagem, não é envolvido nela, e é insensível à dimensão performativa.
Zizek Slavoj, Como ler Lacan, pg.22.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Au revoir eu!!
Nunca entendi relacionamentos que acabam e a pessoa ainda diz que quer mantêr a amizade, que terminam e ficam se ligando, prefiro cortar na raiz de forma dolorida e profunda mesmo. Sempre curti fossa sozinha, por meses a fio e alguns resquícios de dor de cotovelo nos anos seguintes até minguar a um monte de nada. Deve ser o meu jeito, de vez em quando até me assusto com a facilidade que tenho de desapego, sofrimento há, mais fazer de conta que tá tudo bem e cultivar "a boa vizinhança" não é comigo, prefiro matar e enterrar mesmo .
E vejamos pelo lado bom: Um salve para quem inventou a frase mais genial dos últimos tempos:
"A FILA ANDA"!!
rs...
E vejamos pelo lado bom: Um salve para quem inventou a frase mais genial dos últimos tempos:
"A FILA ANDA"!!
rs...
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Não estrague tudo.
Amar é alucinar, como num delírio constante e sem fim que faço ao me entorpecer em minha imaginação.
Numa overdose diária, e por agora posso dizer "decidida".
Me amorteço porque quero, me desalento porque me perco, me enfraqueço por querer mais.
Ergo-me só para desfalecer em teu amor...
Numa overdose diária, e por agora posso dizer "decidida".
Me amorteço porque quero, me desalento porque me perco, me enfraqueço por querer mais.
Ergo-me só para desfalecer em teu amor...
segunda-feira, 23 de julho de 2012
AMORdaçada...
Já tem um tempo que o amor me calou, abalou minhas certezas, removeu lembranças e me fez também me retirar de mim mesmo. Muitas vezes me pego sendo outra que não fora o que era, mais o que eu quero a partir de você. Tudo isso sem saber do seu querer é claro, o Amor não é dado a saberes. Não tive escolha, meu desejo levou um tapa na cara e se calou. shhhhhhhhhh!
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
A vida é para nós o que concebemos nela. Para o rústico cujo campo próprio lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo. O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida.
Isto não vem a propósito de nada.
Tenho sonhado muito. Estou cansado de ter sonhado, porém não cansado de sonhar. De sonhar ninguém se cansa, porque sonhar é esquecer, e esquecer não pesa e é um sono sem sonhos em que estamos despertos. Em sonhos consegui tudo. Também tenho despertado, mas que importa? Quantos Césares fui! E os gloriosos, que mesquinhos! César, salvo da morte pela generosidade de um pirata, manda crucificar esse pirata logo que, procurando-o bem, o consegue prender. Napoleão, fazendo seu testamento em Santa Helena, deixa um legado a um facínora que tentara assinar a Wellington. Ó grandezas iguais à da alma da vizinha vesga! Ó grandes homens da cozinheira de outro mundo! Quantos Césares fui, e sonho todavia ser.
Quantos Césares fui, mas não dos reais. Fui verdadeiramente imperial enquanto sonhei, e por isso nunca fui nada. Os meus exércitos foram derrotados, mas a derrota foi fofa, e ninguém morreu. Não perdi bandeiras. Não sonhei até ao ponto do exército, onde elas aparecessem ao meu olhar em cujo sonho há esquina. Quantos Césares fui, aqui mesmo, na Rua dos Douradores. E os Césares que fui vivem ainda na minha imaginação; mas os Césares que foram estão mortos, e a Rua dos Douradores, isto é, a Realidade, não os pode conhecer.
Atiro com a caixa de fósforos, que está vazia, para o abismo que a rua é para além do parapeito da minha janela alta sem sacada. Ergo-me na cadeira e escuto. Nitidamente, como se significasse qualquer coisa, a caixa de fósforos vazia soa na rua que se me declara deserta. Não há mais som nenhum, salvo os da cidade inteira. Sim, os da cidade dum domingo inteiro – tantos, sem se entenderem, e todos certos.
Quão pouco, no mundo real, forma o suporte das melhores meditações. O ter chegado tarde para almoçar, o terem-se acabado os fósforos, o ter eu atirado, individualmente, a caixa para a rua, mal disposto por ter comido fora de horas, ser domingo a promessa aérea de um poente mau, o não ser ninguém no mundo, e toda a metafísica.
Mas quantos Césares fui!”
(27/06/1930; em “Livro do Desassossego”)
Isto não vem a propósito de nada.
Tenho sonhado muito. Estou cansado de ter sonhado, porém não cansado de sonhar. De sonhar ninguém se cansa, porque sonhar é esquecer, e esquecer não pesa e é um sono sem sonhos em que estamos despertos. Em sonhos consegui tudo. Também tenho despertado, mas que importa? Quantos Césares fui! E os gloriosos, que mesquinhos! César, salvo da morte pela generosidade de um pirata, manda crucificar esse pirata logo que, procurando-o bem, o consegue prender. Napoleão, fazendo seu testamento em Santa Helena, deixa um legado a um facínora que tentara assinar a Wellington. Ó grandezas iguais à da alma da vizinha vesga! Ó grandes homens da cozinheira de outro mundo! Quantos Césares fui, e sonho todavia ser.
Quantos Césares fui, mas não dos reais. Fui verdadeiramente imperial enquanto sonhei, e por isso nunca fui nada. Os meus exércitos foram derrotados, mas a derrota foi fofa, e ninguém morreu. Não perdi bandeiras. Não sonhei até ao ponto do exército, onde elas aparecessem ao meu olhar em cujo sonho há esquina. Quantos Césares fui, aqui mesmo, na Rua dos Douradores. E os Césares que fui vivem ainda na minha imaginação; mas os Césares que foram estão mortos, e a Rua dos Douradores, isto é, a Realidade, não os pode conhecer.
Atiro com a caixa de fósforos, que está vazia, para o abismo que a rua é para além do parapeito da minha janela alta sem sacada. Ergo-me na cadeira e escuto. Nitidamente, como se significasse qualquer coisa, a caixa de fósforos vazia soa na rua que se me declara deserta. Não há mais som nenhum, salvo os da cidade inteira. Sim, os da cidade dum domingo inteiro – tantos, sem se entenderem, e todos certos.
Quão pouco, no mundo real, forma o suporte das melhores meditações. O ter chegado tarde para almoçar, o terem-se acabado os fósforos, o ter eu atirado, individualmente, a caixa para a rua, mal disposto por ter comido fora de horas, ser domingo a promessa aérea de um poente mau, o não ser ninguém no mundo, e toda a metafísica.
Mas quantos Césares fui!”
(27/06/1930; em “Livro do Desassossego”)
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