sábado, 24 de setembro de 2011

No meio dessas páginas... me encontro.

Balada sobre a solidão feminina:


 

                        
Mas, voltando à manhã, assim sou ao alvorecer: tranquila, leve, simpática, menos com mamãe. Mas isso é outra história. Mamãe me alucina. Ela e José Júlio. Não quero falar sobre ela agora, ainda brilham os primeiros raios da manhã.  
Do livro Solo Feminino/ Amor e desacerto- Livia Garcia Roza. pg 10. 


E eu lia, lia, para ver se conseguia acompanhar um pouco o que o Eduardo me dizia . Passava os dias com a cara enfurnada nos livros, mamãe  comentou que estava encantada com meu novo namorado, mas eu gritava que não era, e ela dizia que me conhecia, eu não perderia tempo com alguém que não prometia. Pois bem, num final de aula, cansada de ouvir coisas que não entendia, perguntei ao Eduardo se ele trepava. Pós-Filosofia fiquei assim: clara, objetiva, direta.
Ele riu, riu, riu, e eu começava a me achar imbecil quando ele disse "quando quiser". E eu queria, eu urgia, e fomos para o seu apartamento.  
 Do livro Solo Feminino/ Amor e desacerto- Livia Garcia Roza. pg 138.                                                                                       

"Nós, mulheres, vivemos assim, é uma desgraça; falo por mim, que trago José Júlio engasgado no meio dos peitos, da garganta, dos dentes. Não sei como ainda não o mordi."   Do livro Solo Feminino/ Amor e desacerto- Livia Garcia Roza. pg 7.   

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Me encho dessas coisas ... Ahhhhhhhhhhh que coisa mais linda:

“Benditos teu pai e tua mãe; benditos os que te amaram e os que te maltrataram; bendito o artista que adorou e te possuiu, e o pintor que te pintou nua, e o bêbedo de rua que te assustou, e o mendigo que disse uma palavra obscena; bendita a amiga que te salvou e bendita a amiga que te traiu; e o amigo de teu pai que te fitava com concupiscência quando ainda eras menina; e a corrente do mar que te ia arrastando; e o cão que uivava a noite inteira e não te deixou dormir; e o pássaro que amanheceu cantando em tua janela; e a insensata atriz inglesa que de repente te beijou na boca; e o desconhecido que passou em um trem e te acenou adeus; e teu medo e teu remorso a primeira vez que traíste alguém; e a volúpia com que o fizeste; e a firme determinação, e o cinismo tranqüilo, e o tédio; e a mulher anônima que te vociferou insultos pelo telefone; e a conquista de ti por ti mesma, para ti mesma; e os intrigantes do bairro que tentaram te envolver em suas teias escuras; e a porta que se abriu de repente sobre o mar; e a velhinha de preto que ao te ver passar disse: “moça linda…”; bendita a chuva que tombou de súbito em teu caminho, e bendito o raio que fez saltar teu cavalo, e o mormaço que te fez inquieta e aborrecida, e a lua que te surpreendeu nos braços de um homem escuro entre as grandes árvores azuis. Bendito seja todo o teu passado, porque ele te fez como tu és e te trouxe até mim. Bendita sejas tu.”  
Livia,
com amor,
André

Da série Afinal o que querem as mulheres? (2010)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Meu corpo não é meu corpo,
A ilusão do outro ser.
Sabe a arte de esconder-me
E é de tal modo sagaz
Que a mim de mim ele oculta?

Mau corpo, não meu agente,
Meu envelope selado
Meu revolver de assustar,
Tornou-se meu carcereiro;
Me sabe mais que me sei

[...] Carlos Drummond de Andrade
 Los Abrazos Rotos (2009)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Me vi : Último Tango em Paris ( 1972/Bernardo Bertolucci)


Depois de ter chorado e  saído da sala de cinema em silêncio e assim permanecido por uns 40 minutos, vi o quanto um Paul (Brando) é importante na vida de uma menina. Por ter sido uma Jeannie (Schneider) com ele, me perguntei: O que você colocou em mim para que eu pudesse deixar de ser uma "Jeannie"?
Tento crer verdadeiramente que um Paul em minha vida foi necessário para uma tentativa, a de perseguir um amor correspondido. Abandonar um amor que atormenta, pelo medo da submissão e da espera não é fácil... Depois dele decidi escolher outro tipo de amor, ainda que eu não consiga, (deixa eu acreditar que consigo) pela tentativa. Pois bem sei que são tortuosos os caminhos do amor e que o que há dentro dela nunca morre... rs...