Esse título do post combina muito com o que trago aqui sobre a minha profissão: Psicologia.
Até hoje ainda não sei o que fez com que eu me tornasse psicóloga, se veio de mim ou de fora como uma dessas forças da natureza mesmo, que vem numa tarde qualquer. Não imaginava jamais que se tornaria a psicologia em mim uma profissão simbiótica, daquelas em que tudo se torna um só e depende da outra, e por isso claro vai além da minha profissão, vai para minha vida.
Mas o que nessa profissão me faz pulsar/pensar? Ah! essa é uma questão daquelas "Ad Infinitum" e só findará quando eu tiver ido para outro plano, rs.
Uma frase de Camille Claudel me arrebatou a algum tempo e dizia da ausência sempre presente que nos atormenta. Na época eu não entendia porque eu gostei tanto da frase, mas hoje cada vez mais ela me faz algum sentido. Psicologia é suportar vazios.
Enamorada da Psicologia, tenho a certeza de que não poderia haver melhor trabalho na face da terra para mim do que esse. Porque ele me divide o tempo todo, ele não me dá respostas, não corresponde a nenhum estereótipo do que venha a ser um psicólogo, enfim ele é maravilhoso!
Vivo um não-ser psicólogo o tempo todo. Não existe profissão mais difícil e arriscada do que essa porque podemos cair no lugar comum ou pior no lugar errado como vejo muitos colegas por aí...
Já cometi erros e isso faz parte de um trabalho que nos exige indagações constantes e nos coloca sempre em dúvida do que realmente é o nosso papel como psicólogos. Será que colaboro com a massificação e manipulação dos mais pobres como acontece na Assistência Social? Será que transformo o empregado em objeto de lucro para a empresa? Ou controlo os desajustados com algum CID/DSM-V e assim ele viverá "transtornado" para sempre? São muitas as questões que nos permeiam...
Mas uma coisa é certa: de tudo que nos é imposto devemos procurar brechas para fazer o contrário (olha as questões que foram levantadas), claro que com muita dignidade e respeito ao sistema vigente, claro.
E isso é muito, mas muito complicado eu sei, é a causa de nossas noites mal dormidas de muitas das discussões no nosso trabalho, das incompreensões e do não saber o que fazer.
Assim nos movemos, acertamos e erramos, acredito sim que temos uma profissão dificílima pois envolve sempre um lugar de ausência. E ainda assim sem saber muito o que fazer, eu não consigo deixá-la.

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