Sou mais intimista do que consumista e mais solidão até mesmo na multidão.
Sou mais cabelos ondulados ao vento, que penteados e comportados.
Sou mais caseira que baladeira, porque o melhor se faz na casa da gente.
Sou muito mais música que "falação", e muito mais silêncio também...
Sou mais amiga de quem sabe ser amigo, que de curtição.
Sou mais salgado do que doce, mais vinho que cerveja, mais primavera que verão.
Sou mais cores vivas, pessoas que olham nos olhos, sou confusa e muito mais coração.
Mais pequenos vícios que não me privo do que preocupação: _ gatos, tereré, livros, poesia e a "Arte-Toda" sem a qual não faria sentido todo esse mundão!
hehe :) Inspirado na Martha Medeiros.
domingo, 23 de outubro de 2011
domingo, 9 de outubro de 2011
Eu Tô Falando Sério:
Quer saber o que está havendo
Com as flores do meu quintal?
O amor-perfeito, traindo
A sempre-viva, morrendo
E a rosa, cheirando mal
Agora falando sério
Preferia não falar
Nada que distraísse
O sono difícil
Como acalanto
Eu quero fazer silêncio
Um silêncio tão doente
Do vizinho reclamar
E chamar polícia e médico
E o síndico do meu tédio
Pedindo pra eu cantar
Agora falando sério
Eu queria não cantar
Falando sério
Com as flores do meu quintal?
O amor-perfeito, traindo
A sempre-viva, morrendo
E a rosa, cheirando mal
Agora falando sério
Preferia não falar
Nada que distraísse
O sono difícil
Como acalanto
Eu quero fazer silêncio
Um silêncio tão doente
Do vizinho reclamar
E chamar polícia e médico
E o síndico do meu tédio
Pedindo pra eu cantar
Agora falando sério
Eu queria não cantar
Falando sério
sábado, 24 de setembro de 2011
No meio dessas páginas... me encontro.
Balada sobre a solidão feminina:
Mas, voltando à manhã, assim sou ao alvorecer: tranquila, leve, simpática, menos com mamãe. Mas isso é outra história. Mamãe me alucina. Ela e José Júlio. Não quero falar sobre ela agora, ainda brilham os primeiros raios da manhã.
Do livro Solo Feminino/ Amor e desacerto- Livia Garcia Roza. pg 10.
E eu lia, lia, para ver se conseguia acompanhar um pouco o que o Eduardo me dizia . Passava os dias com a cara enfurnada nos livros, mamãe comentou que estava encantada com meu novo namorado, mas eu gritava que não era, e ela dizia que me conhecia, eu não perderia tempo com alguém que não prometia. Pois bem, num final de aula, cansada de ouvir coisas que não entendia, perguntei ao Eduardo se ele trepava. Pós-Filosofia fiquei assim: clara, objetiva, direta.
Ele riu, riu, riu, e eu começava a me achar imbecil quando ele disse "quando quiser". E eu queria, eu urgia, e fomos para o seu apartamento.
Do livro Solo Feminino/ Amor e desacerto- Livia Garcia Roza. pg 138.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Me encho dessas coisas ... Ahhhhhhhhhhh que coisa mais linda:
“Benditos teu pai e tua mãe; benditos os que te amaram e os que te maltrataram; bendito o artista que adorou e te possuiu, e o pintor que te pintou nua, e o bêbedo de rua que te assustou, e o mendigo que disse uma palavra obscena; bendita a amiga que te salvou e bendita a amiga que te traiu; e o amigo de teu pai que te fitava com concupiscência quando ainda eras menina; e a corrente do mar que te ia arrastando; e o cão que uivava a noite inteira e não te deixou dormir; e o pássaro que amanheceu cantando em tua janela; e a insensata atriz inglesa que de repente te beijou na boca; e o desconhecido que passou em um trem e te acenou adeus; e teu medo e teu remorso a primeira vez que traíste alguém; e a volúpia com que o fizeste; e a firme determinação, e o cinismo tranqüilo, e o tédio; e a mulher anônima que te vociferou insultos pelo telefone; e a conquista de ti por ti mesma, para ti mesma; e os intrigantes do bairro que tentaram te envolver em suas teias escuras; e a porta que se abriu de repente sobre o mar; e a velhinha de preto que ao te ver passar disse: “moça linda…”; bendita a chuva que tombou de súbito em teu caminho, e bendito o raio que fez saltar teu cavalo, e o mormaço que te fez inquieta e aborrecida, e a lua que te surpreendeu nos braços de um homem escuro entre as grandes árvores azuis. Bendito seja todo o teu passado, porque ele te fez como tu és e te trouxe até mim. Bendita sejas tu.”
Livia,
com amor,
André
Da série Afinal o que querem as mulheres? (2010)
Livia,
com amor,
André
Da série Afinal o que querem as mulheres? (2010)
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Meu corpo não é meu corpo,
A ilusão do outro ser.
Sabe a arte de esconder-me
E é de tal modo sagaz
Que a mim de mim ele oculta?
Mau corpo, não meu agente,
Meu envelope selado
Meu revolver de assustar,
Tornou-se meu carcereiro;
Me sabe mais que me sei
[...] Carlos Drummond de Andrade
Los Abrazos Rotos (2009)
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Me vi : Último Tango em Paris ( 1972/Bernardo Bertolucci)
Depois de ter chorado e saído da sala de cinema em silêncio e assim permanecido por uns 40 minutos, vi o quanto um Paul (Brando) é importante na vida de uma menina. Por ter sido uma Jeannie (Schneider) com ele, me perguntei: O que você colocou em mim para que eu pudesse deixar de ser uma "Jeannie"?
Tento crer verdadeiramente que um Paul em minha vida foi necessário para uma tentativa, a de perseguir um amor correspondido. Abandonar um amor que atormenta, pelo medo da submissão e da espera não é fácil... Depois dele decidi escolher outro tipo de amor, ainda que eu não consiga, (deixa eu acreditar que consigo) pela tentativa. Pois bem sei que são tortuosos os caminhos do amor e que o que há dentro dela nunca morre... rs...
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
sexta-feira, 8 de julho de 2011
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Suspiro por Bukowski!!!!!!
esperando pela morte
como um gato
que vai pular
na cama
sinto muita pena de
minha mulher
ela vai ver este
corpo
rijo e
branco
vai sacudi-lo e
talvez
sacudi-lo de novo:
“Henry!”
e Henry não vai
responder.
não é minha morte que me
preocupa, é minha mulher
deixada sozinha com este monte
de coisa
nenhuma.
no entanto,
eu quero que ela
saiba
que dormir
todas as noites
a seu lado
e mesmo as
discussões mais banais
eram coisas
realmente esplêndidas
e as palavras
difíceis
que sempre tive medo de
dizer
podem agora
ser ditas:
eu
te amo.
como um gato
que vai pular
na cama
sinto muita pena de
minha mulher
ela vai ver este
corpo
rijo e
branco
vai sacudi-lo e
talvez
sacudi-lo de novo:
“Henry!”
e Henry não vai
responder.
não é minha morte que me
preocupa, é minha mulher
deixada sozinha com este monte
de coisa
nenhuma.
no entanto,
eu quero que ela
saiba
que dormir
todas as noites
a seu lado
e mesmo as
discussões mais banais
eram coisas
realmente esplêndidas
e as palavras
difíceis
que sempre tive medo de
dizer
podem agora
ser ditas:
eu
te amo.
“Eu te amava; mas já que Deus não me tinha concedido a graça de ser a tua companheira neste mundo, não devia ir roubar ao teu lado e no teu coração o lugar que outra mais feliz, porém menos dedicada, teria de ocupar.
Continuei a amar-te, mas impus-me a mim mesma o sacrifício de nunca ser amada por ti.”
[José de Alencar, livro "Cinco minutos" ]
Continuei a amar-te, mas impus-me a mim mesma o sacrifício de nunca ser amada por ti.”
[José de Alencar, livro "Cinco minutos" ]
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Fantasia I:
Ele: Eu sumi e te deixei porque te conheci, e vi o quanto você era carinhosa, sensível e até ia me apaixonar por você.
Ela: [... ] A covardia me dá sono. Boa noite!
Ela: [... ] A covardia me dá sono. Boa noite!
sábado, 21 de maio de 2011
De repente, fui pega! Por aquele mentiroso/maravilhoso homem que amei/inventei...
Daquele amor todo em que ele me colocou...não sobrou nem saudade daquilo tudo:
do olhar, da vontade de te ver, das sessões do Poderoso Chefão, dos sussurros ao pé do ouvido, do dançar coladinho, do dia dos namorados, da intensidade da última vez ...
Sem notar, se foi, assim como chegou. Era só um menino.
E o homem que eu amei por dois meses se foi assim como as fantasias se vão... um AMOR desse não servia para os nossos coraçõezinhos, e em nosso pequeno cotidiano, logo vi que não cabia o que eu sentia no poema que eu não te fiz.
[...] e eles foram felizes para sempre!
Daquele amor todo em que ele me colocou...não sobrou nem saudade daquilo tudo:
do olhar, da vontade de te ver, das sessões do Poderoso Chefão, dos sussurros ao pé do ouvido, do dançar coladinho, do dia dos namorados, da intensidade da última vez ...
Sem notar, se foi, assim como chegou. Era só um menino.
E o homem que eu amei por dois meses se foi assim como as fantasias se vão... um AMOR desse não servia para os nossos coraçõezinhos, e em nosso pequeno cotidiano, logo vi que não cabia o que eu sentia no poema que eu não te fiz.
[...] e eles foram felizes para sempre!
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Da morte, do amor, e outras ...
Quando é que sentimos que o amor morreu? E qual amor? Em que ponto da vida chegamos à sensação de que o amor morreu?
Inicio com a suposta afirmação de que há de se ter rompido com algo para a análise fluir, e pôr fim a coisas que antes faziam parte de tudo o que era considerado sabido, o que era vivo, em nosso próprio pensamento. O fim é necessário para o nascimento de outra coisa, daquilo que morreu dentro de nós mesmos funda-se o que considero o progresso psicanalítico, e apesar desta sensação desconfortante de fim e desconhecimento, só assim podemos construir com criatividade diante do sofrimento real. Mas e que sensação é esta?
A sensação de luto e desamparo é citada por Freud em decorrência da dificuldade de não se ter a quem recorrer, quando algo está morto. A partir disto, estamos o tempo todo evitando o vazio, através de fatos universais, religiosos e científicos que nos prometem uma resposta. E sem esse vazio, não há psicanálise que possa ser construída tanto para o sujeito em sua análise pessoal, quanto ao sujeito que já apresentou em algum momento o desejo de se tornar analista. Mas voltando ao instante em que algo morreu me pergunto o que pode ter acontecido?
Sinto que o amor concebido como era antes para mim morreu, o amor de antes podia salvar e até enganar com as promessas de que tudo o que causasse dor podia ser evitado, até o dia em que percebemos o limite deste amor. Passamos a ver que não há tanto amor assim para distribuir e receber dos outros, muitas vezes também não aceitamos a imposição de um amor que nos parece estranho e desnecessário, aí limita-se o amor, que antes tudo salvava, agora parece sentir a necessidade de se transformar em outro amor: um que não seja desperdiçado com a angústia de “não-saber” o desejo do outro. Assim daquele amor que se foi, como amar de outra forma?
Talvez aqui comece o nascimento da resposta desta pergunta que surgiu no cartel e para mim será confessada durante a análise.
A vontade de uma formação psicanalítica é peculiar, surge em momento único de cada trajetória desejante de se tornar psicanalista, apontando sempre para o não-saber. Aliás, desde que a psicanálise por algum motivo passa a fazer parte da vida de qualquer aspirante ao momento de se sentir analista, esta impressão de não-se-saber, o acompanhará junto com a sua pretensão por muitos e muitos instantes do caminho. Enquanto sujeitos, estamos sujeitados a caminhar com o respaldo de que se sabe algo, e desde que o mundo é mundo, estamos sempre atrás de explicações para o que nos aflige, para o que parece impossível, para o que destrói, para o que causa o fim. São inúmeras as tentativas de preencher o que nos falta com o que podemos saber a respeito disto ou daquilo, não importa como e quão necessário, o conhecimento faz parte de nossas vidas. Reconhecer que se sabe algo é busca natural do ser humano, e a ciência está aí para nos trazer as respostas que nos faltam, na tentativa de conforto diante do impasse do real. E se existe a busca é porque existe o que não se explica, o que nos foge, o que não funciona, o que termina sem compreensão, o que não conseguimos dizer e assim explicar. Mas, buscar explicações para o sofrimento é algo que nos faz andar atrás de uma verdade, um saber, uma resposta. O saber não pode enunciar o inconsciente, por isso o ensino formal é menos importante do que a análise pessoal durante a formação, que depende do desejo inconsciente do analisante em se tornar psicanalista. Talvez por isso a sensação de não se saber em psicanálise seja tão pertinente, e compreender a teoria não é o suficiente, pois sempre restará neste processo de formação algo dessa sensação.
O desejo inconsciente não ultrapassa ainda no início o compromisso com o saber, mas no caminho este não-saber vai deixando de se fazer necessário quando começamos a perceber que o não-saber é a própria estrutura da situação psicanalítica. O analista nada sabe em relação ao desejo inconsciente e singular do sujeito, pelo menos escapa a essa tentativa, que não seria necessário, pois o saber assim como a ciência tenta responder à angústia humana com todo o conhecimento possível. Diante da incompletude dessas afirmações e indagações, retomo a questão: Como amar de outra forma? Primeiro a partir do vazio do nada, pode-se nascer o amor ao desejo que gostaríamos de saber, o desejo que nos interessa. E saber de fato ao que queremos dirigir o nosso amor. Aquele amor do passado terá sido enterrado? Curado? Reinventado?
Não sei, só sei que quero amar e o alvo desse amor será único, como o amor de um homem dirigido a uma única mulher, diante de tantas e tantas que aí estão, a que será o amor que dá vida, pois aquele Outro/Amor já morreu.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Qual o seu nome?
Já inventei mil nomes pra você, já te deixei mil vezes,já te esqueci mais mil, falei mil vezes, calei outras mil...
Até agora de nada adiantou, porque continua aqui a procura por você
Por algo que você nunca será, procuro pelo homem que você nunca será?
Agora eu sei que cansei de tentar achar o que nunca esteve entre nós, e lá se vão mais mil.
Até agora de nada adiantou, porque continua aqui a procura por você
Por algo que você nunca será, procuro pelo homem que você nunca será?
Agora eu sei que cansei de tentar achar o que nunca esteve entre nós, e lá se vão mais mil.
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